FORA DO AMOR NÃO HÁ SALVAÇÃO
Chico Xavier
Atitude de Amor
(Bezerra de Menezes/Wanderley Soares de Oliveira)
Os primeiros setenta anos do Espiritismo constituíram o período da consagração das origens e das bases em que se assentam a Doutrina, que lhe conferiram legitimidade. Heróis da tenacidade e fibra moral, dispostos a imolar-se pela causa, venceram o preconceito do tempo e a pressão da inferioridade humana no resguardo de defesa da empreitada de Allan Kardec. CONTINUE LENDO...
A primeira etapa consagrou o Espiritismo como ideário do bem, atraindo a simpatia e superando o preconceito; a segunda ensejou a difusão. Penetramos agora o terceiro portal de mais setenta anos, etapa na qual pretende-se a maioridade das idéias espíritas.
É necessário atestar a vitalidade dos postulados espiritistas como alavanca de transformações sociais e humanas. Sua influência na cultura, nas artes, na ciência, nas leis, na filosofia e na religião conduzirá para o bem do homem através da mudança do próprio homem.
Esse novo tempo deverá, igualmente, conduzir a efeitos salutares a nossa coletividade espírita, criando entre nós, seus adeptos, o período da atitude. O velho discurso sem prática deverá ser substituído por efetiva renovação pela educação moral. É a etapa da fraternidade na qual a ética do amor será eleita como meta essencial, e a educação como o passo seguro na direção de nossas finalidades.
Jesus definiu seus discípulos por muito se amarem, o Espírito Verdade assinalou o “amai-vos e instruí-vos” como plataforma do verdadeiro espírita, e esses ensinos deverão constituir a base do programa transformador para nossas metas ante a era nova.
Assim como nas demais fases foram programadas reencarnações missionárias, a exemplo do que sucedeu no iniciar dos séculos XIX e XX, igualmente se apronta uma geração nova para os novéis ofícios da causa, dentre os quais muitos de vós aqui presentes estão esclarecidos sobre seu auspicioso retorno às fileiras do Consolador, em missões de solidariedade e renovação, enquanto os que guardam maiores compromissos na vida extrafísica estão conscientes dos desafios que a todos nos esperam.
Descrevamos algo de essencial acerca dessas batalhas que enfrentaremos, para não localizarmos o “joio” onde está o “trigo” e definirmos melhor as estratégias de ação.
Convocação de Eurípedes Barsanulfo
Amigos em Cristo, esperança em seus corações.
Um fenômeno social irreversível vem ocorrendo nas relações: a superação dos modelos verticais de convivência.
Contrapondo os velhos referenciais de autoridade para ditar o que fazer e como fazer, a família e a escola, a religião e a cultura, assim como todas as organizações humanas são convocadas a repensar as carcomidas formas de relacionamento. CONTINUE LENDO...
Cartilhas e padrões, estatutos e regras sofrem golpes impiedosos. A nova ordem social conduz a uma decisiva derrocada na supremacia de velhos e corroídos significados. Ressignificar... Dar sentido novo em direção a um porvir de esperanças e completude interior.
Encontramo-nos em meio a essa turbulenta gestação de idéias, valores e referências. A humanidade prepara-se para adotar o conceito sistêmico, solidário. Enquanto isso, rui todos os paradigmas em verdadeira hecatombe de convenções hegemônicas. Os velhos parâmetros não atendem às necessidades do agora. Por outro ângulo, ainda não se formaram novos modelos de inspiração para que o homem se guie nas suas experiências e metas. O certo e o errado variaram totalmente seus sentidos, e ainda não se teve tempo bastante para estipular outros conceitos.
Portanto, nutrir muita certeza sobre algo, cultivar rigidez de entendimento é postura extremamente arriscada nessa fase de mutação. Não menos arriscado é assumir a desafiante atitude de “inventor” de novas formas de caminhar. Esse fenômeno social que nasce nas entranhas da alma exige siso moral, responsabilidade individual, coragem. É algo bem diferente. Antes se tinha alguém para ditar o caminhar, algum modelo, uma experiência em que se apoiar. Tornava-se cômodo responsabilizar o próximo ou alguma orientação institucional a fim de evadirmos ou esquivarmos dos efeitos nocivos de nossos atos.
Esperam-se mudanças para melhor na humanidade, todavia poucos são os que perceberam uma realidade inquestionável: a Terra mudou rapidamente. Seus habitantes não conseguiram ainda avaliar a profundidade de tudo que ocorreu nas últimas três décadas. Em trinta anos, efetivaram-se séculos de mudanças. Atordoados e aflitos, sem direção e sem rumo, a humanidade debate-se à procura de bússolas que resgatem o sentimento de segurança.
Nesse cenário global, repete-se, no iniciar do século XXI, a mesma experiência do Espiritismo prático no alvorecer do século XX. Naquele tempo, as bússolas não existiam, foram criadas. Agora, somos chamados a recriá-las. A mediunidade e seu exercício obedecem a esse ciclo inadiável e dinâmico. Os seareiros do intercâmbio, em quaisquer patamares de conquistas, são convocados a construírem sentidos novos na utilização das forças psíquicas e mentais, que envolvem a relação interdimensional entre esferas de vida.
A diversidade, conquanto, a princípio, cause insegurança, é propícia à expressão da criatividade. Criatividade que deverá sempre ser regida pelos valores morais da sensatez, da responsabilidade e do amor.
Allan Kardec, o emissário da Era do Espírito, refere-se ao fermento da incredulidade que ainda tomaria conta da humanidade por duas ou três gerações[1]. Incredulidade em relação à imortalidade e comunicabilidade do ser espiritual. Adentramos exatamente essa terceira geração, dividida em três períodos de setenta anos, a partir da chegada do Espiritismo.
É o período da sensibilidade, da fé que supera o medo humano de existir e progredir no bem.
Fé é a adesão espontânea da alma na busca da Verdade.
Mediunidade é o ventre sagrado do fervor. Através dela, ocorre a sublime gestação do patrimônio da crença lúcida e libertadora.
Raciocínio é o dínamo da lógica e do bom senso. Quando atacado pela rigidez emocional, converte-se em preconceito e estagnação.
Inúmeros grupos doutrinários transformaram o critério do raciocínio em medida prática de defesa, para não serem enganados pelas bem urdidas mistificações. Com essa postura, se não são enganados nas suas produções mediúnicas, são ludibriados quanto ao significado abrangente das relações de amor entre as almas, circunscrevendo a prática de intercâmbio às expressões superficiais de conversão de desencarnados, com espaço acanhado para a manifestação livre dos benfeitores e aprendizes da erraticidade. Vigilância excessiva é um cadeado nas portas da sensibilidade, aprisionando os sentimentos aos severos regimes de descrença e engessamento mental. A cautela excessiva com a fantasia e o engodo manietaram inúmeros servidores.
E o resultado mais infeliz de tanta censura é o enfermiço desânimo com as sagradas práticas de intercâmbio entre os mundos. O mais grave efeito do engessamento cultural das idéias espíritas é a paralisia da noção de imortalidade. Um plano espiritual estático e desconectado da vida na Terra.
Jesus, o paradigma do Amor Universal, ao estabelecer pela Sua Atitude a era da ética aplicada e sentida, assegurou em suas palavras: Não vim ab-rogar, porém, cumprir[2]. Que definição mais precisa se pode ter de uma transição? Quando se fala em novos significados, estamos, em verdade, referindo-nos ao ingente desafio de viver a mensagem esquecida do amor. Transição, portanto, muito antes que uma etapa que deflagra o novo, significa a sublime decisão de afinar-se com o bailado cósmico do amor, o ritmo pulsante de Deus desde a origem dos tempos infinitos.
No século XX, os espíritos procuraram os homens. Agora, os homens deverão ser os parceiros dos espíritos. Buscar-lhes para a vivência de uma relação mais consciente e educativa. O “telefone” tilinta daqui para lá, todavia, chega o instante de recebermos também os “chamados” do homem, cujos interesses repousem na transformação de si mesmo.
A bondade celeste conferiu-me novos desafios nesta casa de amor[3]. Imperioso refletirmos sobre os destinos da mediunidade ante o clímax da transição espiritual do planeta. Nossa missão consiste em avaliar medidas promissoras a nosso alcance, que facilitem a consolidação dos Planos do Espírito Verdade para a messe espírita do mundo físico no século XXI. Os primeiros cem anos do terceiro milênio serão os alicerces da Era do Espírito.
Na condição de educadores da alma, importa-nos reconhecer o exato valor das instituições humanas, jamais as adotando como expressões absolutas da verdade. Tradições e valores estão em acelerado processo de metamorfose. Estamos atravessando uma crise de referências sem precedentes na seara. O movimento espírita está sendo sacudido por um terremoto de diversidade. Porém, convenhamos, é nesse cenário que vai emergir a rota da regeneração.
O Espiritismo não cria a renovação social. As necessidades do homem elegerão seus princípios como senda indispensável. Não se deve deduzir, todavia, que seu perfil social servirá de modelo, porque a diversidade nesse terreno será avassaladora a tal ponto de diluir, apropriar e melhorar as características de suas práticas e conceitos. Ante essas mutações necessárias, os discípulos aferrados a modelos serão convidados a sofrido teste de desapego.
A ciência e a religião, a arte e a filosofia serão caminhos propulsores da força do pensamento espírita, sobrepujando o materialismo que grassa. Nenhum deles, no entanto, servirá de via preferencial. Por essa razão, urge desenvolver um novo significado para a comunidade adepta da verdade consoladora face ao predominante caráter religiosista. Religião com religiosidade. Religião com educação. Se a religião não educar, ficará retida no dogmatismo. Se a ciência não educar, será sovinice. Se a filosofia não educar, transformará em cátedra de vaidade. Se a arte não educar, constituirá um palco para exibicionismo. O momento converge todas as conquistas humanas para a espiritualização da criatura e pelo desenvolvimento de seus valores nobres e divinos.
Amigos e trabalhadores, nessa hora tão decisiva, os médiuns maduros revestem-se de importância singular.
O primeiro século de mediunidade orientada pelas luzes da doutrina, desde as reuniões realizadas nos núcleos familiares, ensejou um nível de intercâmbio intermundos jamais deflagrado em qualquer tempo da história da Terra. Apesar disso, somente ao libertarmo-nos do corpo, averiguamos claramente quão rude ainda são nossos contatos com o mundo físico. Por esse motivo natural, não será exagero afirmar que o século XX, no que tange à mediunidade, foi o período de ensaios promissores, tendo em vista o futuro glorioso que espera o homem psíquico do século XXI. Os médiuns mais consagrados de nossa seara fizeram-se canais abençoados para que a linfa da Divina Providência jorrasse sobre o mundo. Eles próprios, contudo, sabem que estamos, indubitavelmente, na infância dos contatos entre as esferas física e espiritual.
O século XX foi uma farta semeadura. Os grãos deram uns a trinta, outros... Outros foram sufocados, pisoteados... Que o otimismo e a bondade não entorpeçam nossa visão quanto às infelizes ciladas da maldade... Em meio à farta semeadura de bênçãos nascidas do intercâmbio mediúnico, vicejou lastimável semente de joio...
O que era apenas uma ameaça ao intercâmbio mediúnico responsável, regido pela espontaneidade, hoje se concretiza como autêntico cerceamento criado por padrões rígidos e institucionais nas leiras de serviço. Tais padrões, a princípio erigidos como “estacas de segurança”, transformaram-se em “cartilhas” por sugestões de corações bem intencionados, porém, desprevenidos quanto ao significado da singularidade nos assuntos metafísicos. Além disso, a existência dos “mentores culturais” de sofismas, em ambos os planos, multiplicaram as noções inconsistentes absorvidas pela comunidade em suas práticas e conteúdos. O resultado inevitável é o restringimento, ainda maior, das manifestações do céu para a vida terrena.
Chega a hora de um novo chamado!
A hora que atravessamos é similar à parábola das Bodas, narrada em Mateus, capítulo vinte e dois. Os convidados do Rei não compareceram para o evento. A eles, foi destinado o convite, a oportunidade lhes pertencia, entretanto, por motivos pessoais, não compareceram. O Rei, perante a ocorrência, manda seus servos nas aldeias e campos a chamar quantos se apresentassem ao mister.
O tempo e a aquisição do conhecimento têm causado perturbadora sensação de grandeza a muitos aprendizes das frentes de labor mediúnico. Desse modo, afastam de si próprios os convites ininterruptos aos novos misteres que a cada época são dirigidos à vida física, destinados a promoverem o progresso e amadurecimento de nossas relações interdimensionais.
Não se trata de criar novidades nas laboriosas frentes de intercâmbio, e sim de resgatar a linfa cristalina da produção mediúnica, exonerando-a dos pedregulhos e impurezas provenientes dos “entulhos culturais” a ela infligidos. Em verdade, propomos um retorno ao exercício mediúnico conforme as propostas do Cristo de Deus.
Somente a poder de trincheiras produtivas, implantadas em solo brasileiro no início do século XX, foi possível ampliar o raio social de ação do pensamento espírita. De tudo fizeram os vales da sombra e da morte com fins hostis a esse projeto. As tarefas socorristas constituíram-se em “válvulas de alívio” às pressões ininterruptas e incansáveis. Passaram-se cem anos nesse campo de lutas acirradas.
Ao penetrarmos esse terceiro período de mais setenta anos na busca da maioridade das idéias espíritas[4], urge algumas medidas salvadoras. A vitalidade do movimento em torno dos postulados espíritas dependerá de uma nova ordem cultural em todos os seus setores de ação, especialmente na sementeira da mediunidade.
A solidez da investigação fraterna requisita das equipes cristãs o gosto pela crítica, sincero apoio ao crescimento de todos, honestidade emocional em relação uns aos outros, tratamento responsável com todas as dúvidas. Somente nesse clima de relacionamentos sinceros e leais, respaldados pelo desejo de aprender e servir, a luz da misericórdia celeste brilhará, transformando a fragilidade humana em abundante celeiro de imorredouras venturas.
Existem servidores sérios e vigilantes na seara, experimentando o açoite da calúnia de trabalhadores incautos e orgulhosos. O tempo indica aos tais servidores do amor a discrição a fim de não terem seus ideais esmagados pelo peso da chocarrice alheia. A truanice não merece resposta. Compete-nos destinar a eles, servos destemidos, um alerta para que, nesse momento, não declinem da oportunidade de colocarem a luz onde possa ser vista por todos, no velador. São as bússolas indicadoras para os caminhos do Cristo ante os tempos novos.
O século XXI será o tempo do sentimento, e até as esferas abissais do planeta vivem esses momentos. Antes, dominavam pelas idéias, agora, com o avanço da ética e da cidadania, não conseguem usurpar, com a mesma facilidade, a inteligência humana, no entanto agridem o homem pelo coração. A inteligência avançou, mas a emoção humana, com raras e honrosas exceções, estagia no instinto!
É assim que atuam os hábeis manipuladores dos sentimentos perturbadores de desmerecimento e inferioridade. Fazem esquecer as conquistas para exacerbar a indignidade. Uma análise antropológica cuidadosa nos apontaria a intensidade com a qual as estruturas religiosas e políticas, de todos os tempos, exploraram a “cultura da indignidade” como instrumento de domínio. Os líderes das regiões abismais utilizaram de semelhante expediente na gestação desse estado deplorável das agremiações doutrinárias do Espiritismo no que tange às relações extrafísicas.
Que esse foco não entorpeça nossa razão, por se tratar de realidade previsível, considerando o caminhar lento, mas progressivo, da humanidade.
Incentivemos os caminhos novos aos nossos parceiros no mundo físico! Os médiuns que melhor irão retratar as mensagens celestes são os que educarem seus sentimentos.
As bússolas serão encontradas. É lei. O longo percurso de descoberta e criatividade solicita a aplicação de atitudes de amor condizentes com os novos tempos. Assinalemos algumas delas no intuito de estudar e debater as sendas da mediunidade em tempos de transição:
▷ valorosa noção e aplicação do espírito de equipe;
▷ desapego para experimentar;
▷ coragem para experimentar;
▷ adesão afetiva e espontânea na participação de novas vivências;
▷ investigação nas conquistas da ciência;
▷ acendrada postura de despretensão ante as vitórias com as novas práticas;
▷ incansável abertura mental para ouvir, alterar, avaliar e discutir em clima de aprendizado e fraternidade;
▷ superação dos limites filosóficos doutrinários em busca de conceitos universais aplicáveis à mediunidade.
(Palestra proferida, no início de 2000, por Eurípedes Barsanulfo, no Hospital da Esperança, extraída do livro Lírios de esperança, de Ermance Dufaux, psicografado por Wanderley S. de Oliveira, Editora Dufaux, Belo Horizonte, MG)
MENSAGEM AOS ESPÍRITAS
(EURÍPEDES BARSANULFO/Divaldo Pereira Franco)
(E Eurípedes Barsanulfo encerra sua mensagem aos espíritas com esta emocionante prece) Amantíssimo Pai, incomparável Criador do Universo e de tudo quanto nele pulsa! Nota:
Todo conhecimento superior que se adquire visa ao desenvolvimento moral e espiritual do ser. No que diz respeito às conquistas imortais, a responsabilidade cresce na razão direta daquilo que se assimila. Ninguém tem o direito de acender uma candeia e ocultá-la sob o alqueire, quando há o predomínio de sombras solicitando claridade. CONTINUE LENDO...
A Humanidade, desde priscas Eras, tem recebido a iluminação que verte do Alto. Nunca faltaram os missionários do Bem e da Verdade conclamando à ascensão, à superação das imperfeições morais. Em época alguma e em lugar nenhum deixou de brilhar a chama da esperança em nome de Nosso Pai, que enviou os Seus apóstolos ao Planeta, a fim de que todas as criaturas tivessem as mesmas chances de auto-realização e de crescimento interior. Todos eles, os nobres Mensageiros da Luz, desempenharam as suas atividades em elevados climas de enobrecimento e de abnegação, que deles fizeram líderes do pensamento de cada povo, de todos os povos.
Foi, no entanto, Jesus, quem melhor se doou à Humanidade, ensinando pelo exemplo e dedicação até à morte, e oferecendo carinho até hoje, aguardando com paciência infinita que as Suas ovelhas retornem ao aprisco. Apesar das Suas magníficas lições, o ser humano alterou o rumo da Sua proposta de lídima fraternidade, promovendo guerras de extermínio, elaborando castas separatistas, elegendo ilusões para a conquista do reino terrestre... Sabendo, por antecipação, dessa peculiaridade da alma humana, o Mestre prometeu o Consolador que viria para erguer em definitivo os combalidos na luta, permanecendo com as criaturas até o fim dos tempos...
E o Consolador veio. Ao ser apresentado no Espiritismo, surgiram incontáveis possibilidades de edificação humana, pelo fato de a Doutrina abarcar os vários segmentos complexos e profundos da Ciência, da Filosofia e da Religião, contribuindo em todas as áreas do conhecimento e da emoção para o desenvolvimento dos valores eternos e a conseqüente consolidação do reino de Deus na Terra. Expandindo-se a Codificação kardequiana, as multidões esfaimadas de paz e atormentadas por vários fatores, acercaram-se e continuam abeberando-se na fonte generosa e rica, para serem atendidas, sorvendo os seus sábios ensinamentos.
Quando, porém, deveriam estar modificados os rumos convencionais e estabelecidos a fraternidade, a solidariedade, a tolerância, o trabalho de amor na família que se expande, começam a surgir desavenças, ressentimentos, conflitos, campanhas de perturbação e ataques grosseiros, repetindo-se as infelizes disputas geradas pelo egoísmo e pela vã cegueira das paixões dissolventes, conforme ocorreu no passado com o Cristianismo, destruindo a sementeira ainda não concluída e ameaçando a ceifa que prometia bênçãos. Espíritos uns, possuídos pelo desejo de servir, mergulham no corpo conduzindo expectativas felizes para ampliar os horizontes do trabalho digno, mas vítimas de si mesmos e do seu passado sombrio, restabelecem as vinculações enfermiças, tombando nas malhas bem urdidas de obsessões cruéis, vitimados e perdidos... Outros mais, que deveriam ser as pontes luminosas para o intercâmbio entre as duas esferas vibratórias, açodados na inferioridade moral, comprometem-se com os vícios dominantes no mundo e desertam das tarefas redentoras...
Diversos outros ainda, preparados para divulgar o pensamento libertador, deixam-se vencer pelo bafio do egoísmo e do orgulho que deveriam combater, tornando-se elementos perturbadores, devorados pela ira fácil e dominados pela presunção geradora de ressentimentos e de ódios... A paisagem, que deveria apresentar-se irisada pela luz do amor, torna-se sombreada pelos vapores da soberba e do despautério, tornando-se palco de disputas vis e de promoções doentias do personalismo, longe das seguras diretrizes do legítimo pensamento espírita... Que estão fazendo aqueles que se comprometeram amar, ajudar-se reciprocamente, fornecendo as certezas da imortalidade do Espírito e da Justiça Divina? Enleados pelos vigorosos fios da soberba e da presunção, crêem-se especiais e dotados com poderes de a tudo e a todos agredir e malsinar.
Como conseqüência dessa atitude enferma estão desencarnando muito mal, incontáveis trabalhadores das lides espíritas que, ao inverso, deveriam estar em condições felizes. O retorno de expressivo número deles ao Grande Lar tem sido doloroso e angustiante, conforme constatamos nas experiências vivenciadas em nossa Esfera de atividade fraternal e caridosa... O silêncio em torno da questão já não é mais possível. Por essa razão, anuímos que sejam trombeteadas as informações em torno da desencarnação atormentada de muitos servidores da Era Nova em direção aos demais combatentes que se encontram no mundo, para que se dêem conta de que desencarnar é desvestir-se da carne, libertar-se dela e das suas vinculações, porém, é realidade totalmente diversa e de mais difícil realização.
Felizmente nos confortam o testemunho de inúmeros heróis do trabalho, os permanentes exemplificadores da caridade, a constância no bem pelos vanguardeiros do serviço dignificante, os ativos operários da mediunidade enobrecida e dedicada ao socorro espiritual, os incansáveis divulgadores da verdade sem jaça e sem prepotência que continuam no ministério abraçado em perfeita sintonia com as Esferas Elevadas de onde procedem.
Quem assume compromisso com Jesus através da Revelação Espírita, não se pode permitir o luxo de O abandonar na curva do caminho, e seguir a sós, soberbo quão dominador, porque a morte o aguarda no próximo trecho da viagem e o surpreenderá conforme se encontra, e não, como se dará conta do quanto deveria estar melhor mais tarde.
A transitoriedade da indumentária física é convite à reflexão em torno dos objetivos essenciais da vida que, a cada momento, altera o rumo do viajante de acordo com o comportamento a que se entrega. Ninguém se iluda, nem tampouco iluda aos demais. A consciência, por mais se demore anestesiada, sempre desperta com rigor, convidando o ser ao ajustamento moral e à regularização dos equívocos deixados no trajeto percorrido. Todos quantos aqui nos encontramos reunidos, conhecemos a dificuldade do trânsito físico, porque já o vivenciamos diversas vezes, e ainda o temos vivo na memória e nos testemunhos a que fomos convocados. Ninguém esteve na Terra em regime de exceção. Apesar disso, bendizemos as dificuldades e as provas que nos estimularam ao avanço e à conquista da paz.
Provavelmente, estas informações, quando forem conhecidas por muitos correligionários, serão contraditadas e mesmo combatidas. Nunca faltam aqueles que se entregam à zombaria e à aguerrida oposição. Os seus estímulos funcionam melhor quando estão contra algo ou alguém. Não nos preocupamos com isso. Cumpre-nos, porém, o dever de informar com segurança, e o fazemos com o pensamento e a emoção direcionados para a Verdade. Como os reencarnados de hoje serão os desencarnados de amanhã, e certamente o inverso acontecerá, os companheiros terrestres constatarão e se cientificarão de visu. Jamais nos cansaremos de amar e de servir, tentando seguir as luminosas pegadas de Jesus, que nos assinalou com sabedoria: Muitos serão chamados e poucos serão escolhidos. Sem a pretensão de sermos escolhidos, por enquanto apenas pretendemos atender-Lhe ao sublime chamado para o Seu serviço entre as criaturas humanas de ambos os planos da vida.
Tende compaixão dos vossos filhos terrestres, mergulhados nas sombras densas da ignorância e do primarismo em que se demoram.
A vossa excelsa misericórdia tem-se consubstanciado em lições de vida e de beleza em toda parte, convidando-nos, estúrdios que somos, ao despertamento para a vossa grandeza e sabedoria infinita. Não obstante, continuamos distraídos, distantes do dever que nos cabe atender.
Apiedai-vos da nossa pequenez e deixai-nos sentir o vosso inefável amor, que nos rocia e quase não é percebido, a fim de alterarmos o comportamento que vimos mantendo até este momento.
Enviaste-nos Jesus, o inexcedível Amigo dos deserdados e dos infelizes, depois de inumeráveis Mensageiros da Luz, ouvimos-Lhe a voz, sensibilizamo-nos com o Seu sacrifício, no entanto, desviamo-nos do roteiro que Ele nos traçou e continua apontando. Tombando, porém, no abismo, por invigilância e leviandade, tentamos reerguer-nos várias vezes, e nos ajudastes por compaixão, sem que essa magnanimidade alterasse por definitivo nossa maneira de ser durante os séculos transatos.
Permitistes que Allan Kardec mergulhasse no corpo, a fim de desmonstrar-nos a imortalidade da alma, quando campeava a descrença e a cegueira em torno da Vossa Majestade, e também nos fascinamos com o mestre lionês. Logo depois, porém, eis-nos perdidos no cipoal dos conflitos a que nos afeiçoamos, experimentando sombra e dor, esquecidos das diretrizes apresentadas.
No limiar da Nova Era que se anuncia, permiti que vossa luz imarcescível nos clareie por dentro, libertando-nos de toda treva e assinalando-nos com o discernimento para vos amar e vos servir com devotamento e abnegação.
Excelso Genitor, tende piedade de nós, favorecendo-nos com o entendimento que nos ajude a eliminar o mal que ainda se demora em nós, desenvolvendo o bem que nos libertará para sempre da inferioridade que predomina em a nossa natureza espiritual.
Sede, pois, louvado, por todo o sempre, Venerando Pai!
Esta mensagem, de autoria de Eurípedes Barsanulfo, foi extraída do livro Tormentos da obsessão, ditado pelo espírito Manoel P. de Miranda ao médium Divaldo Pereira Franco (Livraria Espírita Alvorada, 2001, p. 316/323). Narra Manoel P. de Miranda que a mensagem foi endereçada aos trabalhadores espíritas, na casa de Barsanulfo, em uma reunião fraternal, na comunidade dirigida pelo mesmo, onde existem algumas organizações dedicadas à educação, como o Educandário Allan Kardec, e ao tratamento dos problemas da alma, como o Hospital Esperança.
O Espiritismo sustenta princípios que, por se fundarem nas leis da Natureza e não em abstrações metafísicas, tendem a tornar-se, e um dia certamente o serão, os da universalidade dos homens; todos os aceitarão, porque encontrarão neles verdades palpáveis e demonstradas, como aceitaram a teoria do movimento da Terra; mas, pretender-se que o Espiritismo chegue a estar, por toda parte, organizado da mesma forma; que os espíritas do mundo inteiro se sujeitarão a um regime uniforme, a uma mesma forma de proceder; que terão de esperar lhes venha de um ponto fixo a luz, ponto em que deverão fixar os olhos, fora utopia tão absurda como a de pretender-se que todos os povos da Terra formem um dia uma única nação, governada por um só chefe, regida pelo mesmo código de leis e submetida aos mesmos usos. Há, é certo, leis gerais que podem ser comuns a todos os povos, mas que sempre, quanto às minúcias da aplicação e da forma, serão apropriadas aos costumes, aos caracteres, aos climas de cada um. CONTINUE LENDO... É perfeitamente justa a comparação, de que acima nos valemos, com os observatórios. Há-os em diferentes pontos do globo; todos, seja qual for a nação a que pertençam, se fundam em princípios gerais firmados pela Astronomia, o que, entretanto, não os torna tributários uns dos outros. Cada um regula como entende os respectivos trabalhos. Permutam suas observações e cada um se utiliza da Ciência e das descobertas dos outros. Assim acontecerá como os centros gerais do Espiritismo; serão os observatórios do mundo invisível, que permutarão entre si o que obtiverem de bom e de aplicável aos costumes dos países onde funcionarem, uma vez que o objetivo que eles colimam é o bem da Humanidade e não a satisfação de ambições pessoais. O Espiritismo é uma questão de fundo; prender-se à forma seria puerilidade indigna da grandeza do assunto. Daí vem que os centros (espíritas) que se acharem penetrados do verdadeiro espírito do Espiritismo deverão estender as mãos uns aos outros, fraternalmente, e unir-se para combater os inimigos comuns: a incredulidade e o fanatismo. (Alan Kardec, Obras Póstumas, Constituição do Espiritismo, item VI, ps .362/364, FEB, 37ª ed.)
SAÚDE ESPIRITUAL E HUMANIZAÇÃO
com José Carlos Jotz





















